Oficina de Rimas e História do Hip Hop

NA ESCOLA!

Preta-Rara conta a história do Hip Hop brasileiro apresentando raps em ordem cronológica. O público ainda compõe rimas e canta as letras em grupo.

‘O Hip Hop é uma cultura de resistência que resgata diversos jovens periféricos e os leva a horizontes e espaços jamais vislumbrados por elas e eles. É assim que eu defino o que é o Hip Hop, quando me perguntam. Surgido em meados dos anos 70, nos guettos dos Estados Unidos, se popularizou pelas periferias do mundo inteiro, chegando à São Paulo na década de 80. Disseminado para todo o país, tem crescido desde então, a cada ano. Mais que uma cultura, o Hip Hop é um movimento que tem como base quatro elementos artísticos: break, MC, DJ e grafite.

História do Hip Hop

O movimento Hip Hop nasceu na década de 1960, no Bronx, bairro periférico de Nova Iorque, Estados Unidos América, em uma população formada majoritariamente por latinos e negros, recebendo influência do jazz, funk soul e dub jamaicano. A violência explodia e a juventude era o alvo, tanto da polícia, quanto entre as gangues, que, geralmente, brigavam nos portões de escolas e bailes.

Quando Kevin Donavan assistiu ao filme ‘Zulu’, cuja história conta a guerra pelo domínio e posse das terras do povo zulu invadida pelos ingleses, estava cansado de tanta violência entre os seus ‘irmãos’ e iguais, e refletiu que seria um zulu contemporâneo, passando a ser conhecido como Afrika Bambataa, nome inspirado em um guerreiro do século XIX (Balbino, 2006, p.11).

 

Os quatro elementos              

Já no início da década de 1970, o movimento negro inflama seu discurso de igualdade, e a cultura negra se difunde pelas periferias estadunidenses. Portanto, desde a sua origem, o movimento reivindica bandeiras antirracistas e contra a violência urbana, especialmente a policial. As rimas falavam sobre Malcolm X, Steve Biko e Martin Luther King.

Foi pelo break dance que as brigas passaram a se expressar de maneira artística, já que as gangues acertavam ‘as contas’ pela dança, competindo sem violência, consolidando um dos primeiros elementos do Hip Hop. Outra hipótese defende que o break surgiu em Porto Rico, pois os jovens imitavam os helicópteros caindo na Guerra do Vietnã, girando de ponta cabeça, executando um movimento que hoje é conhecido como ‘moinho de vento’.

O DJ é outro elemento originário da cultura, pois era quem tinha a função de soltar os beats, fazendo colagem entre músicas de discos que rodavam em duas picapes concomitantemente, enquanto os break dancers faziam seus passos incríveis.

Ser DJ não era acessível para a juventude das periferias, portanto eram poucos os que tinham o equipamento e colocavam nas praças e ruas para os bailes, comandando a festa, pois a música é o elemento essencial, a fonte de energia, que gira os outros elementos da cultura Hip Hop. É responsabilidade do DJ encontrar a música certa, fazer a seleção de faixas para embalar os B.Boys e todo o público.

No calor dos bailes, surgiu o MC, que no início eram pequenos improvisos e rimas breves faladas, contando sobre o bairro, disputando quais eram os melhores e explorando características e estereótipos, nascendo, assim, o rhythm and poetry - ritmo e poesia. O MC narrava o seu cotidiano e embalava sua letra na batida do DJ no ritmo da música, criando o  flow. O marco desse novo elemento foi com o lançamento do disco Rapper’s Delight, do rapper Sugarhill Gang,

Se desde a pré-história a humanidade sente necessidade de se expressar em paredes e rochas, os grafiteiros queriam deixar seu nome, sua marca - chamada de tag -, e também frases pelos muros da cidade. Esse tipo de expressão aqui no Brasil é conhecido como ‘pixação’, e, logo em seguida surgiram os desenhos, que são os grafites como conhecemos hoje.

A cultura Hip Hop rompeu limites geográficos e passou a ser uma cultura difundida pela diáspora africana e latino-americana em todo o mundo, com o objetivo essencial de (re)construir a identidade desses grupos oprimidos, em cada periferia com a sua especificidade, incorporando manifestações culturais de cada região que adota a filosofia e estilo do Hip Hop em sua vida cotidiana.

Hip Hop no Brasil

Na Galeria 24 de maio, em São Paulo, roupas coloridas, calças boca de sino e cabelos black power representavam o expoente brasileiro do principal palco do movimento Hip Hop, na década de 1970. Os bailes eram ‘da pesada’, e o estilo invadia a rua com os passos de dança de Nelson Triunfo, mais conhecido como Nelsão, precursor do break dance. Os passos remexiam o corpo inteiro, ou o movimento era duro e seco, imitando um robô, inspirado no filme beat street, que foi grande sucesso entre o improviso dos B.Boys.

Os encontros eram semanais, mas com a popularização e concentração de muitas pessoas, os lojistas e policiais começaram a perseguir e restringir o uso do espaço. Daí foi quando os encontros migraram para o bairro São Bento, local que ainda preserva rodas e batalhas. De lá para os dias atuais o movimento se difundiu pelas periferias de todo o país, adaptando-se à realidade de cada região e absorvendo as manifestações de cada local, espelho de como a cultura se dissemina por todos os locais do mundo.

Fontes:

Balbino, Jessica. Hip Hop à cultura marginal: Do povo para o povo. Minas Gerais: Tramas Urbanas, 2006.

Fernandes, Joyce (Preta-Rara). Memórias do Hip Hop na Baixada Santista. TCC: 2010.

Escola Municipal Oswaldo Justo

A professora Andreia Cristina Wolfsohn e a diretora Denise Rodrigues abriram as portas da escola para o projeto Hip Hop Resiste na Escola, no dia cinco de dezembro de dois mil e dezoito. Na escola aconteceu a Live Paint, prevista no projeto inicial, o evento reuniu os cinco elementos que compõe o Hip Hop: rap, break, grafite, DJ e o conhecimento.

Foram realizadas oficinas de grafite, break dance, rimas e havia uma DJ para acompanhar as oficinas. Também foi exibida, na abertura do encontro, o segundo episódio da websérie Nossa Voz Ecoa, financiada via PROAC pelo governo do estado de São Paulo, e idealizada pela produtora e proponente Talita Fernandes e pela rapper Preta-Rara. O link do episódio: https://www.youtube.com/watch?v=3_PpQVw5in0&t=19s

Convidadxs da websérie Nossa Voz Ecoa.

Escola Estadual Barnabé

O professor Gilmar Batista de Souza foi o intermediário para a realização da oficina de rimas na escola. Com o apoio, também, da professora Malu e do Diretor Maycon, a oficinas foi um grande encontro de formação sobre o Hip Hop, que durou todo o período matutino do dia 17 de fevereiro de 2019.

A oficina foi uma grande aula sobre a história do Hip Hop, ministrada pela Preta-Rara, e, depois, os estudantes dividiram-se em grupos para debater temas propostos e compor suas rimas que foram apresentadas em um ‘Festival de encerramento’, em que todos dividiram o microfone e experimentaram cantar no flow dos beats de rap.

Os estudante envolveram-se na oficina e relataram que queriam mais desse tipo de formação na escola, ligado à cultura e entretenimento.

Educafro - Núcleo Valongo

Realização

7saias

Produtora

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PRETA-RARA, 2019. Audácia Produções
Fotos do site: Juh Guedes

Fotos Nossa Voz Ecoa: Cibele Appes | Fuzuê Filmes